Nos últimos meses, a pauta de robótica tem ganhado espaço aqui no Radar Terracotta.

O novo mapa de Construction Robotics, desenvolvido pela Hilti e Zacua Ventures, ajuda a explicar por quê – e reforça por que estamos aumentando nossa convicção nesse tema.
Até pouco tempo, o assunto parecia difuso. A narrativa dominante ainda era a de uma “obra automatizada” no futuro. O que o mapa mostra é algo diferente: a robótica já está sendo aplicada de forma concreta dentro do canteiro.
Esse avanço não acontece por acaso. Ele responde a uma dor estrutural da construção: escassez de mão de obra, envelhecimento da força de trabalho e dificuldade crescente de sustentar produtividade com modelos tradicionais.
Em paralelo, a pressão por prazo, custo e qualidade segue aumentando – criando o ambiente ideal para soluções que não dependam exclusivamente de mais pessoas no campo.
Os números ajudam a calibrar a expectativa:
A robótica on-site ainda representa uma fração mínima do mercado – menos de 0,03% do gasto global em construção.
Por outro lado, o fluxo de capital e o número de soluções vêm acelerando: só nos três primeiros trimestres de 2025, foram US$ 1,36 bilhão investidos no setor, mais que o dobro de todo o volume de 2024.

A leitura correta não é que “a robótica chegou em escala”.
É que ela começou a funcionar – de forma seletiva.
A adoção não está acontecendo de forma horizontal, mas em workflows específicos onde a combinação de repetição, esforço físico e impacto direto no resultado torna a automação economicamente viável.
Um bom exemplo é o de marcação em campo.
Uma equipe tradicional de locação de obra cobre cerca de 740 a 1.400 m² por dia, enquanto sistemas robóticos conseguem executar entre 3.700 e 6.500 m² por dia – um ganho de 3x a 5x em produtividade.
Em um projeto de 46 mil m², isso significa reduzir essa etapa de algo como 30 a 60 dias para cerca de 7 a 12 dias.
Quando traduzido em custo, a conta começa a fechar:
Uma equipe tradicional custa entre US$ 1,4 mil e US$ 2,2 mil por dia, o que pode levar o custo total dessa etapa para algo entre US$ 40 mil e US$ 130 mil.
Já soluções robóticas operam em modelo de assinatura, tipicamente entre US$ 8 mil e US$ 12 mil por mês, o que, mesmo considerando mobilização e operação, tende a resultar em um custo total inferior – além do ganho de prazo.
Mas existe um segundo efeito – menos óbvio e possivelmente mais importante.
Cada robô em campo também gera dados.
Ao automatizar partes do workflow, essas soluções passam a capturar informações estruturadas sobre execução, progresso e qualidade.
O canteiro começa a se transformar em uma fonte contínua de dados operacionais, conectando BIM, QA/QC e gestão de obra.
O valor, portanto, não está só na automação física – mas na camada de informação que se acumula com o uso.
Isso ajuda a explicar por que o mercado ainda é pequeno, mas relevante.
Não se trata de uma transformação ampla da construção. Trata-se da consolidação de nichos onde a automação já faz sentido – e que tendem a expandir a partir desses pontos.
O erro não é subestimar robótica.
É esperar uma disrupção generalizada.
A oportunidade está em identificar quais workflows já cruzaram o ponto de viabilidade – e onde a adoção pode gerar vantagem competitiva real nos próximos anos.
Porque a construção não está entrando na era do robô universal. Está entrando na era da automação seletiva.
E é aí que o jogo começa a mudar.
Quando a demanda existe, mas o retorno não aparece
O turismo global se recuperou.
A mobilidade internacional cresceu. Destinos de lazer operam em níveis que, em muitos casos, já superam 2019. No Brasil, o Nordeste segue aquecido – voos diretos, turismo doméstico em expansão, aluguel de curta duração em alta.
Do ponto de vista da demanda, o cenário parece resolvido.
E ainda assim, uma pergunta continua aparecendo entre investidores com experiência no setor: se a demanda existe, por que o retorno não acompanha?
A resposta, na maioria dos casos, não está na demanda. Está no modelo.
Hospitalidade nunca foi apenas um ativo imobiliário. Ela é a combinação de quatro dimensões inseparáveis: o imóvel, a operação, a marca e a governança.
Quando essas camadas estão alinhadas, o ativo performa. Quando não estão, a demanda pode até existir – mas o resultado não se sustenta.
Esse desalinhamento aparece de formas diferentes.
No short stay, a pulverização da operação gera inconsistência para o hóspede e erosão de preço para o investidor – unidades do mesmo ativo competindo entre si, diluindo o poder de precificação.
No condo-hotel, o problema costuma ser outro: o produto foi concebido para vender, não para operar. Governança fraca, estrutura de custos mal desenhada e operador sem alinhamento com o resultado do investidor. Boa demanda, performance decepcionante.
O que diferencia os ativos que funcionam não é ocupação. É a capacidade de sustentar preço ao longo do tempo.
Na edição dessa semana do Investor Track falamos sobre:
Por que demanda não resolve estrutura – e onde está o erro mais comum na leitura de ativos de hospitalidade
O efeito da fragmentação no short stay: como a pulverização corrói preço e retorno
A diferença entre renda aparente e renda estruturada – e o que cada uma constrói no longo prazo
O que separa um condo-hotel bem concebido de um produto pensado para vender, não para operar
Os elementos que definem um ativo de hospitalidade capaz de sustentar resultado
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